Aeronautas decidem suspender greve temporariamente

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Em Assembleia Geral Extraordinária realizada na tarde desta quinta, a categoria dos aeronautas (pilotos e comissários) decidiu suspender temporariamente a continuação da greve, que teve início também nesta quinta, com a paralisação das decolagens em todo o país das 6h às 7h da manhã. As assembleias foram realizadas em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Campinas e Belém.

A categoria deliberou por se manter mobilizada e em estado de alerta, porém decidiu aguardar os resultados da negociação que será travada agora no âmbito do Poder Judiciário.

Uma audiência de conciliação entre o SNA (Sindicato Nacional dos Aeronautas) e o SNEA (Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias) está marcada para esta sexta-feira, às 14h, em Brasília, no TST (Tribunal Superior do Trabalho), com intermediação do vice presidente do Tribunal, ministro Ives Gandra.

“Com essa demonstração de força já feita nas paralisações de hoje, a categoria entendeu por bem, já que houve a entrada do TST na negociação, suspender o movimento e aguardar os trâmites legais. Temos a expectativa de chegar a um consenso o quanto antes”, afirma o secretário-geral do Sindicato Nacional dos Aeronautas, comandante Rodrigo Spader.

A greve havia sido definida após o insucesso nas negociações da renovação da Convenção Coletiva de Trabalho, que começaram em outubro do ano passado e não avançaram nos pontos mais sensíveis aos aeronautas até as primeiras semanas de janeiro — a data-base da categoria é 1º de dezembro.

As reivindicações dizem respeito não só a itens econômicos, mas especialmente a questões da pauta social, ligadas ao gerenciamento do risco de fadiga dos tripulantes e à segurança de voo.

Entre os pedidos estão a ampliação do número de folgas (inferior ao praticado nas legislações mais avançadas ao redor do mundo), a limitação das madrugadas consecutivas em trabalho e de tempo em solo entre as programações — pontos essenciais para reduzir o risco de acidentes ligados à fadiga.

Na questão econômica, a pedida inicial de 11% foi reduzida para 8,5% de reajuste, tomando como base diversos indicadores positivos para a indústria da aviação. Porém a proposta patronal não passou de 6,5%, apenas 0,17% acima do INPC — ou seja, sem ganho real significativo.