Mensagem do SNA aos aeronautas: chegou a hora da greve

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Caros aeronautas,

A deflagração de um movimento grevista é a última alternativa numa negociação e acontece apenas quando se percebe que não existe mais possibilidade de avanço em questões que são consideradas essenciais para a categoria.

Infelizmente, chegamos a este ponto nessa negociação para renovação da Convenção Coletiva de Trabalho.

A maneira como as empresas aéreas têm gerenciado as condições de trabalho de seus tripulantes ao longo dos últimos não corresponde com as melhores práticas de RH e segurança operacional, além de não atender as necessidades básicas dos aeronautas. As escalas de trabalho comprometem a segurança das operações e não há por parte das companhias aéreas investimentos significativos no sentido de corrigir este desvio.

O reajuste salarial é apenas uma das faces desta moeda e, na verdade, a de menor importância. A outra, que trata de avanços no gerenciamento do risco da fadiga, isto é, do cansaço dos aeronautas, condutores de máquinas extremamente complexas com centenas de vidas a bordo, está sendo relegada à última prioridade das companhias aéreas. Mesmo modificações que não implicariam em custos adicionais para as companhias foram negadas, sem qualquer fundamento, pelas empresas.

Simplesmente chegamos ao limite e não podemos mais aceitar o descaso com a segurança de voo e a qualidade de vida dos tripulantes.

Aos aeronautas, lembramos que sempre há riscos, inclusive em uma paralisação. Se não fossemos corajosos, nunca decolaríamos uma máquina com mais 50 toneladas.

Por falar em riscos, devemos considerar os riscos silenciosos e traiçoeiros que nos ameaçam todos os dias, quando colegas perdem seus empregos sem nem mesmo participar de greve ou de qualquer outro movimento.

O medo de hoje cobrará o preço amanhã, com a abertura dos céus, liberdade de licenças, liberdade de matrículas, intercâmbio de aeronaves, fusões de marcas internacionais, o capital estrangeiro comprando nossas empresas e nos obrigando ser registrados como trabalhadores de outros países. Estas ameaças estão presentes e precisamos estar unidos para colocar nossas opiniões e restrições, em nome de nossa profissão.

Não estamos parando apenas por um reajuste salarial ou por cláusulas sociais. Estamos, sim, em busca de RESPEITO e DIGNIDADE, que nos protegerão de todas as dificuldades ao longo de nossa carreira.

Este trabalho tem custo, e cada um tem que assumir sua parcela de responsabilidade e fazer sua parte. Nesta greve, quem não estiver voando também tem obrigação com os demais — devem ir até o aeroporto mais próximo em apoio aos demais colegas.

Lembramos que a paralisação começa no dia 22/01, sempre das 6h às 7h (de Brasília) e continua por tempo indeterminado, até que nossas reivindicações sejam atendidas. Também no dia 22, às 15h, faremos Assembleia Geral Extraordinária para deliberar sobre os próximos passos do movimento.

Contamos com todos e estaremos juntos hoje e sempre.

Você é o SNA.

Você é a sua profissão.

Diretoria do Sindicato Nacional dos Aeronautas